Coffee Break | Entrevista | Jóni Teixeira

Coffee Break | Arquitecto Jóni Teixeira

 

Iniciamos a nossa rubrica “Coffee Break” com uma entrevista a Jóni Teixeira. Arquitecto coordenador da Impacto Criativo, que já está na equipa há algum tempo e assume um papel relevante em cada projecto da empresa.

 

– Entrevistador: Jóni, fala-nos um bocadinho da tua formação e funções na IC, para o leitor te poder conhecer melhor.

Jóni Teixeira: Eu formei-me em arquitectura em 2012, antes tinha feito uma formação em avaliação imobiliária. Entretanto faço, também, doutoramento em arquitectura, que está em fase de conclusão. Em relação à IC, a minha função é ser coordenador de projecto e arquitecto. Faço acompanhamento de obras e, ao mesmo tempo, acompanho os projectos de execução.

– E: Há quanto tempo exerces arquitectura?

JT: Assim que terminei o curso, comecei logo a trabalhar como arquitecto. Antes, já tinha trabalhado num gabinete na área de projectos. Diria que exerço há 4/5 anos.

– E: Desde que chegaste à IC o teu foco foi, essencialmente, em farmácias e ópticas. Na tua opinião, quais são as principais diferenças entre estas áreas e as restantes em que trabalhaste?

JT: Eu já tinha experimentado projectos na área da saúde. Mas, os projectos a que eu estava habituado, tal como a grande parte dos arquitectos, é a área habitacional e, nós aqui, trabalhamos muito a saúde e o retalho.

A grande diferença tem que ver com a escala dos projectos: trabalhamos com áreas mais pequenas, dificilmente saímos de lojas que excedam os 100/200 m2. Desta forma, obriga-nos a dar mais atenção ao detalhe e, quando é em grande escala, consegues escapar a esses pormenores. Além disto, outra grande diferença é o facto de trabalharmos com interiores, que nos outros sítios, na arquitectura, não exploras tanto o interior como fazemos na IC.

– E: Quando um projeto chega até à IC, como coordenador, qual é o processo que segues?

JT: Reúno com o CEO da empresa, no sentido de perceber a quem será entregue o projecto.

Por norma, os projectos são distribuídos de acordo com a disponibilidade dos elementos da equipa. Como todos estão por dentro dos processos, independentemente de ser uma clínica, uma farmácia ou óptica, não temos limitações a esse nível. A pessoa a quem é atribuído o projecto, inicia o estudo prévio, que se baseia na procura de uma solução, a partir de uma planta e desenvolvimento de um 3D. Nesta primeira fase, a planta terá de ser aprovada pelo cliente, só assim, justifica começar a “levantar paredes” e o cliente ter uma noção espacial do objecto arquitectónico.

– E: Os clientes sentem a necessidade de ver, no 3D, o resultado final do seu espaço?

JT: Sem dúvida, os nossos 3D têm um grau de realismo já bastante elevado, exatamente por esse motivo. Embora que, por vezes, há um ou outro detalhe, colocado no projecto, que em obra não se traduz viável, devido a situações imprevisíveis. Nesses casos, é preciso fazer adaptações!

Mas voltando ao processo, regra geral, começamos com o estudo prévio e, quando esta fase é aprovada, passamos à pré-execução – que resulta num mapa de quantidades e num orçamento – a ser apresentado ao cliente. Assim que é aprovado, eu e o arquitecto Diogo, desenvolvemos o projecto de execução. Nalgumas situações, há necessidade de haver licenciamentos, por parte de entidades reguladoras, e são os arquitectos a tratar dessas questões.

Passadas estas fases, segue-se a obra. Dependendo da localização da obra, temos arquitectos pelas várias zonas do país, que nos fazem o acompanhamento e fiscalização da mesma, presencialmente. Por vezes, há a fase de pós-obra, onde tratamos de situações pendentes.

– E: Como referiste, cada profissional tem o seu papel em cada projeto, qual é a função de cada elemento da tua equipa durante o projecto e a obra?

JT: As designers de interiores, tanto a Cláudia como a Rute, inserem-se mais na parte criativa, apanhando o projecto numa primeira fase. O que lhes é pedido é criatividade, que é fundamental, pois trabalhamos com projectos personalizados. Elas acabam por ser o coração e a máquina da empresa, pois são os rasgos de criatividade delas que nos fazem marcar a diferença. Além disso, nos casos que apenas abranjam decoração, têm o papel primordial no processo. As escolhas dos materiais, também, passam muito pelo departamento criativo.

Depois, tanto eu como o arquitecto Diogo, fazemos parte do departamento técnico, onde acompanhamos os projectos de execução e de licenciamento e, por vezes, o acompanhamento de obra, embora tenhamos técnicos especializados para o efeito.

O arquitecto Diogo tem, ainda, um papel importantíssimo na actualização e gestão da nossa biblioteca de materiais, para termos sempre os catálogos e os materiais mais recentes.

– E: Esta última afirmação mostra que a IC está sempre a acompanhar as tendências para garantir que apresenta propostas inovadoras e atuais, correto?

JT: Sim, estão sempre a sair coisas novas e, quinzenalmente, procuramos reunir com comerciais das marcas para estarmos sempre actualizados.

– E: Quais são os factores diferenciadores dos projectos da IC, principalmente no que concerne a farmácias, ópticas e clínicas?

JT: Há essencialmente dois aspectos que distinguem a IC:

Primeiro, o nicho de mercado da área da saúde, aqui nós trabalhamos muito a personalização, onde há muito a tendência para haver uma linha de standardização.

O segundo ponto que eu considero distintivo, é o facto de termos uma equipa pluridisciplinar, ou seja, temos arquitectos, engenheiros que nos apoiam, temos marketeers, designers de interiores, designers de comunicação. No fundo, temos uma equipa que nos permite fazer frente ao que os nossos clientes procuram.

O nosso cliente-alvo não procura, apenas, o projecto de construção. Ele quer um projecto chave-na-mão, e nós temos os recursos para isso. Além do mais, fazemos a obra – ou somos parte integrante no processo de obra – porque temos equipas para isso.

– E: Há pouco referiste que a IC tem arquitectos, pelo país, que fazem o acompanhamento das obras. Seguindo esse raciocínio, qual é o teu papel no antes, durante e pós-obra?

JT: O meu papel é muito mais fazer a ponte do projecto, que é elaborado no escritório, com a obra. Apesar de termos arquitectos e engenheiros no norte, sul e centro, o meu trabalho é comunicar com eles para perceber se o que idealizamos está a ser executado.

– E: Mostras que mantens uma comunicação constante com quem está a supervisionar a obra. E com o cliente? Em que parte entra o cliente? Como o mantêm informado sobre a situação da obra?

JT: Por norma, temos uma regra, que passa por fazer actas de obra.

Há uma necessidade de ir explicando ao cliente o que se vai passando no espaço dele e, mesmo internamente, todos conseguimos estar informados de como as coisas estão a evoluir e quais os problemas que têm surgido. São tiradas, por fases, algumas fotografias e integradas nas actas de obra, que são entregues ao cliente.

No final da obra, o cliente, tem um dossier onde estão compiladas todas as actas referentes às visitas à obra, com o histórico da mesma. Há clientes que estão mais presentes em obra e depois, temos o caso de outros que preferem desligar-se do processo e, nessas situações, temos de ser nós quase que a “convocá-los” para os informar da situação.

1- E: A IC tenta, sempre, decifrar como o cliente fará uso daquele espaço para personaliza-lo à medida?

JT: Sim, o cliente é sempre parte integrante no processo até porque, além da parte estética, a funcionalidade, nos casos de farmácias e clínicas, é muito importante.

Precisamos de comunicar com o cliente, e entender os seus processos diários e hábitos para que o projecto vá ao encontro disso, pois cada caso é um caso.

– E: Com certeza há pormenores que, em determinados casos não são relevantes e noutros farão toda a diferença, conseguem perceber isso ao trazer o cliente para o processo?

JT: Sim, os pormenores mudam de cliente para cliente, ou até devido ao meio onde estão inseridos. Tivemos um caso, que se situava num meio agrícola, e o cliente referiu bem a necessidade de ter um pavimento muito resistente para a sua farmácia. Só quem trabalha e vive em cada lugar, nos consegue dar esse tipo de informações, que são essenciais.

– E: Ao nível de prazos, os clientes da IC têm negócios que, na maioria dos casos, não podem parar de funcionar durante a obra. Como se faz a gestão desta situação, para evitar o máximo de transtornos aos clientes?

JT: Nós tentamos dispensar mais tempo no projecto de execução e nos desenhos técnicos para termos a certeza que, quando se chega à obra, há uma minimização de erros, que nos permitirá ganhar tempo.

Como tudo isto é, previamente, muito bem delineado, temos a garantia de que, em obra, tudo funcionará da melhor forma.

Estamos num mercado onde temos mesmo de trabalhar em horários nocturnos, fins-de-semana e até feriados. E estamos dispostos e preparados para isso, tanto nós como as nossas equipas, e isso facilita a entrega do projecto dentro dos prazos acordados.

– E: A área da saúde exige um forte know-how ao nível das estruturas, equipamentos que são necessários e da legislação em vigor. Consideras que a IC tem vantagem competitiva por conhecer todas as regras e imposições da área?

JT: Sim, a legislação é pública, e acho que é uma questão de gostarmos de estar preparados antes de avançar. Por isso, fortalecemos a nossa pesquisa e tentamos estar sempre a par das últimas legislações.

As novas leis podem trazer novidades para o projecto, e temos de estar preparados para contorná-las e arranjar forma de as encaixar.

O facto de estarmos neste mercado, já há algum tempo, faz com que estejamos mais preparados para estas questões e, felizmente, temos tido sucesso na aprovação de licenciamentos, mesmo os mais complexos.

– E: Quando chega a fase em que o cliente vê o resultado final, qual é o feedback que tens recebido em relação ao trabalho da IC?

JT: Nós fazemos de tudo para que o 3D seja o mais realista possível. Em regra geral, quando os clientes se apaixonam pelo que viram no papel – ao verem construído – percebem que está ali materializado o que idealizaram. Salvo alguma incoerência, devido a vicissitudes de obra (que não podemos controlar), mas os clientes são compreensivos. Na maioria dos casos, fazemos reabilitação e já estamos condicionados ao espaço original e a possíveis “armadilhas” que vão aparecendo, no decorrer da obra. Mas, felizmente, os clientes gostam daquilo que produzimos e percebem que o que lhes foi vendido, em papel, está realmente ali.

– E: Como se transmite esse feedback para a equipa, e como pode ser utilizado como ferramenta de motivação e melhoramento para os projectos seguintes?

JT: A equipa vai acompanhando a evolução, pois tem acesso às pastas de obra, logo nunca há o tal “choque” final do resultado. A motivação surge porque a equipa vê que conseguiu materializar o projecto que o cliente gostou e aprovou, portanto significa que estamos num bom caminho.

– E: Apesar de as coisas já estarem a mudar, nos projetos de espaços de saúde, ainda há uma linha muito tradicional relativamente ao layout, cores e materiais. Acreditas que o sucesso da IC é saber contornar essa linha tradicional e propor soluções inovadoras e que surpreendem?

JT: A complexidade desta questão surge logo pela parte legislativa, que é muito rigorosa na saúde. Há padrões que são difíceis de contornar, há um certo fio condutor que, por muito que tentemos, é difícil de evitar.

No entanto, os materiais têm evoluído de forma positiva e têm aparecido soluções mais resistentes, higiénicas e esteticamente mais agradáveis. Temos sabido aproveitar bem isso para combater a linha mais tradicional, o que se revelou uma mais-valia para nós.

-E: Qual era o desafio que gostavas de abraçar na IC?

JT: Eu acho que o que seria interessante e me daria especial gozo em trabalhar, seria apostar mais nas clínicas dentárias. Cada vez mais, surgem com um design arrojado, há soluções mais elegantes e penso que poderíamos dar um contributo interessante nessa área. Embora já tenhamos feito, seria interessante apostar mais.

– E: Para terminar e, como não poderia deixar de ser: Jóni, o que dizem os teus olhos?

JT: (risos) que tenho de ir trabalhar! (risos).

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